segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


Alessandro Allori, Alegoria da vida humana, 1570-1590
Pensar...fazer-se,

 imaginar-se de formas diversas,

e das mais diversas formas pensar

Arte de criar nosso Universo –

bem maior do ser humano...

Melhor que pensar,

                                    viver.

Lêu Passos - Grande amiga das letras.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Impressão, Sol nascente, Claude Monet, 1869.

Ser humano é tempo que envelhece. Com Ângela Vilma, tenho a impressão de que ser poeta – com a sua maneira de ser-estar no mundo - é iluminar e traduzir sobre a borda do tempo o presente do tempo que passa, passando para o tempo presente e futuros presentes a atemporal tradução do instante em que a beleza o arrebatou em um dado presente perdido no tempo. 

domingo, 9 de outubro de 2011

A SUSPEITA



A todo instante, ainda guardo a impressão de que alguém aqui se esconde entre uma palavra e outra. E sempre quando pressinto que a vejo, um turbilhão de versos desaba sobre mim. 

domingo, 26 de junho de 2011

Mauro Piva, sem título, massa modelar, 2000.




















NADA

Toc! Toc! Não tem nada aqui, só uma pedra a rasgar-me por dentro. O rio que habita em mim já não derrama letra alguma. O olho secou, o lábio secou, a vida secou. O cheiro de mofo a impregnar-me as narinas, o sentimento de morte a avassalar o meu peito. Toc! Toc! O outro insiste. Tudo é secura, eu já disse. Secura sem verbo, secura da carne, secura. Só o formol a preservar o meu corpo, sem rosto, sem vida, sem nada. Tic-tac. Passa o tempo, nada a passar, só há falta. A falta a caminhar com o tempo; o tempo a apontar para morte. A vida é pétrea, disse o poeta. Nada me resta, nada é o que resta, só o fim permanece: penso comigo. A palavra exilou-se de mim, levando consigo a alegria, a tristeza. Ficou esta pedra a cavar-me um vale profundo, sem cor, sem dor, sem beleza, do tamanho da tampa que cobre o universo.  

domingo, 12 de junho de 2011


Noiva do vento, de Oskar Kokoschka

















PASSARINHO
Para Lidiane Nunes

Alegre, ele vivia a vida assim: de galho em galho.
Comia uma semente aqui,
nutria-se duma outra ali.
Até que um dia, triste, encontrou uma flor.
E por ela se apaixonou.

terça-feira, 7 de junho de 2011


Cena do curta metragem Um médico rural de Koji Yamamura















LUCIDEZ

No meu quarto escuro, desperto.
Acordado, com dor de cabeça
e vendas nos olhos,
me olho.

E o que vejo?


Uma vontade incomensurável de ser
e o peso insustentável de existir.

domingo, 5 de junho de 2011



O velho homem triste - Van Gogh
 


Hoje, queria que minhas lágrimas escorressem por dentro, lavassem as minhas memórias, excretasse o resíduo de dor e cicatrizasse as feridas de um passado, que o tempo não foi capaz de curar.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O que a água me trouxe - Frida Kahlo



LEMBRANÇAS
 

No quintal de minha infância,
ouvia estórias
que minha mãe contava
e me fazia sorrir.

Agora me encontro,
em frente da casa,
carregando as memórias
de um passado,
                         presente.